Não existe jeito certo de viajar (e tá tudo bem)

Não existe jeito certo de viajar. Museu, café ou foto clichê, cada viagem é válida, e quem decide como ela é, é o viajante.

Um incômodo: fiscal de viagem alheia. Parece que cada vez mais gente está viajando. E junto com esse aumento, cresce a exposição das viagens. Afinal, todo mundo quer mostrar o lugar bacana e bonito que conheceu, ou só deixar o registro em suas redes sociais.
Acontece que, com isso tudo, começam a aparecer as críticas à forma como o outro viaja.
“você foi ‘só’ para tirar foto nesse lugar?”
“você ficou 6 horas dentro de um museu?”
“mas você foi lá só para postar que tava nesse restaurante?”
A experiência de quem viajou vira quase um interrogatório de quem não tem NADA a ver com a viagem feita. E a verdade é que não existe jeito certo de viajar.
Cada um viaja por um motivo
A questão é a seguinte: cada um viaja por um motivo, que tem muito a ver com a história de cada pessoa:
Há quem viaje para conhecer a cultura e a história de um lugar, tentar entender melhor como alguns contextos históricos aconteceram ali. Se colocar (um pouquinho) na perspectiva dos locais, entendendo a influência do clima, da geografia e dos espaços que visita.
Há quem viaje para sentar e ver o movimento, sem intenção nenhuma de entender nada, só admirando a vida acontecendo.
Há quem queira realizar um sonho de criança, por causa de uma história, de um filme, de qualquer lembrança que resgate importantes momentos da vida.
Há quem queira desopilar, fingir que a realidade não existe, ainda que por algumas poucas horas ou dias.
Há quem vá apenas para dar check na foto, no restaurante ou no monumento, para postar e dizer que conheceu, falar que foram lindos os 2 segundos (ou 2 horas) que ficou ali naquele lugar.
O porquê de cada viagem diz respeito a cada um, e ao estilo de cada um.
Entendo o sentimento de que viajar para fazer determinada coisa possa soar absurdo para algumas pessoas, mas, se for assim, é só não fazer isso na nossa viagem, no nosso momento.
Mas para o outro, deixe-o com a sua diversão, suas fotos, suas lembranças.
Não existe jeito certo de viajar, existe dica
Para quem tá de fora, os conselhos podem vir como forma de dica. Ajudar a como encontrar melhores passagens, hospedagens que agradem e passeios que sejam a cara da pessoa.
Fora isso, como vai ser a viagem em si, quem dita é o próprio viajante.
O problema desse excesso de críticas e julgamentos é que a alegria da conquista da viagem (porque sim, viajar é uma conquista) se dissipa um pouquinho, porque o de fora parece diminuir a sensação de prazer e alegria que a viagem nos dá.
Falar “é só não ligar” é fácil, mas sabemos como o mínimo julgamento pode nos fazer sentir menores ou como se estivéssemos fazendo algo de ‘errado’
E eu? Sou vários tipos de viajante
Eu sou vários tipos de viajante:
sou a turista que só quer ver um ponto turístico
a que anda 20km para conhecer a cidade toda em um dia só
a que quer sentar em um café e só admirar a vida
a que quer entender como a vida se deu em um determinado tempo e lugar
a que quer aprender, ainda que seja 1%, com a cultura local
a que quer entender as diferenças culturais e ampliar meu repertório
a que quer ter uma experiência gastronômica que nunca teria no quintal de casa
O ponto é: viajar diferente de alguém não faz ninguém melhor ou pior, não faz a viagem valer menos ou mais, porque, no fim, é sobre a experiência de cada um, e de cada um apenas.
Em vez de julgar outros roteiros, por que não celebrar que mais gente tá tendo oportunidade de viajar e conhecer diferentes lugares? |
Me conta lá no Instagram (@ferdirscherl) que tipo de viajante você é. E se você quer montar uma viagem do seu jeito, sem regra de ninguém, me chama para uma consultoria de roteiro.



Comentários